A dor na parte da frente do ombro pode ter várias causas, mas uma das mais comuns é a tendinite do bíceps dolorosa.
Essa condição ocorre quando o tendão da cabeça longa do bíceps, estrutura que ajuda na movimentação e estabilidade do ombro, sofre inflamação ou desgaste ao longo do tempo.
Em muitos pacientes, o problema começa com desconforto leve, mas pode evoluir para dor persistente que limita movimentos simples do dia a dia e atividades físicas.
Porém, quando a dor persiste e passa a comprometer a qualidade de vida, pode ser necessário considerar abordagens para resolver o problema.
Neste texto, vamos explicar quais são as opções de tratamento para essa condição e em quais situações os procedimentos específicos podem trazer alívio duradouro da dor.
O que é a tendinite do bíceps e por que ela causa dor no ombro?
A tendinite do bíceps é uma inflamação ou degeneração do tendão da cabeça longa do músculo bíceps, estrutura que passa pela parte anterior do ombro e ajuda na movimentação e estabilidade da articulação.
Esse tendão percorre um sulco no úmero e se conecta à região superior da escápula, o que faz com que participe diretamente dos movimentos do ombro e do braço, como levantar o braço ou realizar movimentos de rotação.
A dor ocorre quando o tendão sofre sobrecarga, microlesões ou desgaste ao longo do tempo, especialmente em pessoas que realizam movimentos repetitivos com o braço acima da cabeça, como atletas ou trabalhadores que utilizam muito os membros superiores.
Frequentemente, essa tendinite não vem sozinha. Ela costuma estar associada a:
- lesões do manguito rotador
- impacto subacromial
- Lesões SLAP (na base onde o bíceps se prende) instabilidade do ombro
No nosso blog, temos um artigo completo sobre a relação do manguito rotador e do bíceps, confira!
Quando o tendão está inflamado ou degenerado, cada movimento do ombro pode gerar atrito ou tensão nessa estrutura. Uma outra causa relevante, é a instabilidade da porção longa do bíceps no túnel por onde ele passa e que pode causar muito atrito e inflamação nele.
Isso provoca dor na parte anterior do ombro, sensibilidade ao toque e dificuldade para realizar certas atividades do dia a dia.
Tendinite do bíceps dolorosa: existe tratamento definitivo?
A tendinite do bíceps pode causar dor intensa no ombro e limitar atividades simples do dia a dia.
Em pacientes idosos, quando o tendão do bíceps é a principal fonte da dor, uma das opções de tratamento que mais utilizamos é a tenotomia do bíceps.
Existem duas formas principais de realizar a tenotomia:
- Artroscopia (Centro Cirúrgico): Realizada por vídeo, geralmente quando o paciente já vai operar outra estrutura, como o manguito rotador. tenotomia do bíceps por artroscopia, acesse esse texto em nosso site!
- Tenotomia Percutânea (Ambulatorial): Esta é uma técnica moderna que realizo em ambiente de consultório. Com o auxílio do Ultrassom, identificamos o tendão e fazemos a liberação com anestesia local. É um procedimento rápido, minimamente invasivo e com recuperação imediata.
Mito sobre a força: Muitos pacientes temem perder força no braço. No entanto, em pacientes com menor demanda física ou idosos, a perda de força é imperceptível, pois os outros tendões do braço assumem a função. Pode ocorrer apenas uma leve alteração estética no músculo (o "sinal do Popeye").
Após a intervenção, pode haver algum desconforto temporário, principalmente porque a região já apresenta inflamação prévia, mas a técnica costuma proporcionar alívio da dor e uma solução definitiva para muitos pacientes já após 1 ou 2 semanas.
Como é o pós procedimento da tenotomia do bíceps?
A recuperação após a tenotomia do bíceps realizada por artroscopia costuma ser relativamente rápida e tranquila quando comparada a outros procedimentos do ombro.
Por ser uma técnica minimamente invasiva, os pacientes costumam tolerar bem o processo de reabilitação.
Logo após a cirurgia, é preciso manter o braço na tipoia por alguns dias, principalmente para proporcionar conforto e proteção inicial à articulação.
Entretanto, indicamos que movimentos leves do ombro sejam iniciados precocemente.
A dor tende a reduzir nas primeiras semanas após o procedimento, já que a principal fonte de inflamação e irritação do tendão é eliminada.
Em muitos casos, recomendamos começar logo nos primeiros dias exercícios suaves que ajudam a preservar a mobilidade do ombro e evitar rigidez.
Atividades mais intensas, como exercícios de fortalecimento ou prática esportiva, são retomadas de forma gradual, de acordo com a evolução da recuperação, em geral após algumas semanas.
E quando a tenotomia não é indicada, como será o tratamento?
Nem todos os casos de tendinite do bíceps dolorosa exigem tratamento cirúrgico, e a tenotomia não é indicada para todos os pacientes.
Em fases iniciais ou quadros menos avançados, o tratamento costuma ser conservador, com foco na redução da dor e na recuperação da função do ombro.
Isso inclui revisão da biomecânica dos exercícios, com fortalecimento do manguito rotador e dos estabilizadores da escápula, além de ajustes na rotina de atividades e nos treinos, evitando movimentos que sobrecarregam o tendão.
Além disso, recursos como infiltrações podem ser utilizados para controlar a inflamação e aliviar os sintomas, principalmente quando a dor limita a evolução na reabilitação.
Em alguns casos, abordagens da medicina regenerativa também podem ser consideradas, com o objetivo de estimular a recuperação do tecido. A escolha do tratamento ideal depende de fatores como idade, nível de atividade, intensidade dos sintomas e presença de outras lesões associadas no ombro.
Temos um artigo que fala mais sobre o tratamento da tendinite do bíceps, confira!
O mais importante é que a decisão seja individualizada. Com o acompanhamento adequado, muitos pacientes conseguem controlar a dor e retomar suas atividades sem a necessidade de cirurgia, alcançando bons resultados com medidas menos invasivas.
Quando procurar o especialista em ombro?
A avaliação com o especialista em ombro é recomendada quando a dor na região anterior se torna persistente, limita os movimentos do braço ou não melhora com medidas iniciais de tratamento.
Como vimos, em muitos casos, podemos tratar a tendinite do bíceps com abordagens conservadoras e essas estratégias costumam ser eficazes, principalmente nas fases iniciais da lesão.
No entanto, quando os sintomas persistem por um período prolongado, quando há degeneração importante do tendão ou quando a dor continua interferindo na qualidade de vida, pode ser necessário considerarmos outras alternativas.
Nesses casos, um dos procedimentos ao qual podemos recorrer é a tenotomia do bíceps, que consiste na liberação do tendão responsável pela dor.
Esse procedimento pode aliviar de forma significativa os sintomas, especialmente em pacientes com menor demanda funcional ou em situações em que o tendão já apresenta desgaste avançado.
Por isso, é importante passar por uma avaliação detalhada com o especialista em ombro.
Assim, poderemos analisar os sintomas, os exames de imagem e as características do caso para definir a melhor abordagem.
Se você apresenta dor persistente no ombro ou suspeita de tendinite do bíceps, agende uma consulta com o Dr. Guilherme Noffs para uma avaliação personalizada!
Conheça o Dr. Guilherme Noffs
Dr. Guilherme atende em consultório particular como ortopedista de Ombro e Cotovelo e Especialista em Terapias da Dor no Hospital Albert Einstein Perdizes e na Clínica SEBE, Vila Mariana.
Além disso, atua no atendimento de urgências no Hospital Albert Einstein e realiza cirurgias nos Hospitais Sírio-Libanês, São Luiz - Rede D'Or e São Camilo.














