Plasma Rico em Plaquetas (PRP) e manguito rotador: a medicina regenerativa trata estas lesões?
Por Dr. Guilherme Noffs, ortopedista especialista em ombro e cotovelo, Medicina do Esporte (USP · UNIFESP · Hospital Israelita Einstein) | CRM-SP 144.245 | RQE 81212 | @guilhermenoffs.ortopedista
https://lattes.cnpq.br/3495914761292121
Atualizado em 11 de setembro de 2026 · Leitura: 14 minutos · Conteúdo revisado pelo autor com base em ensaios clínicos e metanálises
Figura 1. O PRP é preparado com o sangue do próprio paciente. No manguito rotador, a pergunta é para qual lesão, em que momento e com que objetivo.
"Doutor, eu vi que existe uma injeção que regenera o tendão. Dá para fazer no meu ombro e fugir da cirurgia?" Ouço essa pergunta quase todos os dias, geralmente de alguém que chega com a ressonância na mão, a palavra rotura sublinhada no laudo e dificuldade para dormir sobre o lado dolorido.
Costumo começar pela parte que acalma: são 15 anos de ortopedia, mais de 10 deles dedicados a ombro e cotovelo, e
menos de 10% dos casos de manguito que acompanho chegam à cirurgia. A maior parte melhora com um plano bem conduzido.
A pergunta seguinte, sobre o PRP, tem uma resposta mais longa.
O Plasma Rico em Plaquetas (PRP) é um tratamento biológico feito com o sangue do próprio paciente, com o objetivo de favorecer os processos naturais de reparo do tendão.
No manguito rotador, ele já foi testado em muitos ensaios clínicos. Alguns resultados são animadores, outros nem tanto, e a regulamentação brasileira não inclui o ombro entre as indicações do procedimento (a
Resolução CFM nº 2.464/2026 regulamenta o PRP no Brasil).
Neste texto, explico o que é o manguito rotador, como as lesões se apresentam, o que os estudos de fato mostram sobre o PRP (sem e com cirurgia) e o que diz a Resolução CFM nº 2.464/2026. A ideia é que você chegue à consulta sabendo o que perguntar.
O que é o manguito rotador e por que ele sofre lesões?
O manguito rotador é um conjunto de quatro músculos e seus tendões: supraespinhal, infraespinhal, subescapular e redondo menor. Eles envolvem a cabeça do úmero como uma "luva" e mantêm a bola do ombro centrada na cavidade enquanto o braço se eleva e gira.
Por trabalharem o tempo todo, esses tendões recebem cargas repetidas no esporte, no trabalho e em tarefas simples, como pegar algo no alto do armário. O
supraespinhal costuma ser o mais afetado, porque passa num espaço estreito entre a cabeça do úmero e o acrômio.
As alterações do manguito aparecem por dois caminhos principais. No mais comum, há uma
degeneração progressiva do tendão, ligada à idade, atrofia, baixa vascularização acumuladamente. No outro, a rotura surge depois de um
trauma ou esforço específico, como uma queda com o braço estendido ou o levantamento de um peso grande. No blog, detalhamos as
principais causas de lesão do manguito rotador.
Tabela 1. Tipos de lesão do manguito rotador
| Tipo de lesão | O que acontece no tendão | Conduta usual de partida |
|---|---|---|
| Tendinopatia | Tendão espessado, com fibras desorganizadas, sem rotura | Ajuste de carga e reabilitação motora com fortalecimento |
| Rotura parcial | Parte da espessura está rompida: lado articular, lado bursal ou no interior do tendão | Tratamento não cirúrgico na maioria; cirurgia se houver falha ou progressão da lesão ou dos sintomas |
| Rotura total degenerativa | O tendão se solta do osso em toda a espessura, sem trauma importante | Reabilitação estruturada; cirurgia se dor e perda de força persistirem (depende muito da idade do paciente) |
| Rotura total traumática | Rotura após queda ou esforço, com perda súbita de força | Avaliação cirúrgica precoce, sobretudo em pessoas ativas |
Quais são os sintomas da lesão do manguito rotador?
O sintoma mais comum é a
dor no ombro ao elevar o braço, muitas vezes irradiada para a face lateral do braço, e não para o pescoço. Os sinais variam com a estrutura acometida e com a gravidade:
Tabela 2. Sintomas típicos e como aparecem no dia a dia
| Sintoma | Como o paciente costuma descrever |
|---|---|
| Síndrome do túnel radial | Dói para pentear o cabelo, pendurar roupa, pegar objetos no alto |
| Radiculopatia cervical (C6–C7) | Piora no saque do tênis, na natação, no supino ou no desenvolvimento |
| Instabilidade posterolateral do cotovelo | Acorda ao virar sobre o lado afetado; não encontra posição |
| Plica sinovial radiocapitelar | Não consegue colocar a mão nas costas ou prender o sutiã |
| Artrose ou lesão da cartilagem radiocapitelar | Perde velocidade no arremesso ou potência no golpe |
No consultório, o exame físico com testes de força de cada tendão já orienta boa parte do diagnóstico. Ultrassom (que temos no consultório) e ressonância magnética confirmam o tipo, o tamanho e a qualidade do tendão e do músculo. Esses detalhes pesam em qualquer decisão, inclusive na conversa sobre PRP.
PRP e manguito rotador: como funciona o tratamento?
O PRP é preparado a partir de uma pequena quantidade do sangue do próprio paciente. A coleta é igual à de um exame de rotina; o tubo vai para uma
centrífuga, que separa os componentes do sangue por densidade, e a fração do plasma com mais plaquetas é recolhida. Como o material é
autólogo, não há exposição a sangue de doadores (nosso preparo acata completamente à recomendação do sistema fechado).
As plaquetas concentradas liberam substâncias biologicamente ativas, entre elas fatores de crescimento e de sinalização celular que participam da cicatrização:
Tabela 3. Principais fatores de crescimento liberados pelas plaquetas
| Fator | Nome | Papel proposto no reparo do tendão |
|---|---|---|
| PDGF | Fator de crescimento derivado de plaquetas | Atrai e estimula a multiplicação de células de reparo |
| TGF-β | Fator de crescimento transformador beta | Estimula a produção e a organização do colágeno |
| VEGF | Fator de crescimento do endotélio vascular | Participa da formação de novos vasos sanguíneos |
| IGF-1 | Fator de crescimento semelhante à insulina tipo 1 | Favorece a atividade celular e a síntese de matriz |
Na teoria, faz sentido. Na prática, o tendão do manguito tem particularidades que tornam a resposta menos previsível do que em outros locais: circulação pobre perto da inserção no osso, tração constante e, nas lesões antigas, músculo que pode ter perdido volume e sido substituído por gordura. Por isso, a pergunta certa não costuma ser "o PRP funciona?", e sim”em quem”, "em qual lesão do manguito, e comparado a quê?"
Existem ainda muitos sistemas de preparo, que variam na concentração de plaquetas e na presença de leucócitos (PRP rico ou pobre em leucócitos). Essa falta de padronização ajuda a explicar por que os estudos chegam a conclusões diferentes.
Legislação médica no Brasil: O que diz a Resolução CFM nº 2.464/2026 sobre o PRP no manguito rotador?
A Resolução CFM nº 2.464/2026, em vigor desde 15 de julho de 2026, permite o PRP como tratamento complementar em quatro condições: osteoartrite de joelho, discopatia lombar, epicondilite lateral do cotovelo e reparo do menisco.
O manguito rotador não aparece nessa lista, e a palavra ombro não consta do texto da norma. Na prática, isso quer dizer que, no Brasil, o PRP no ombro
não faz parte das indicações regulamentadas, e quem receber essa proposta deve perguntar, com clareza, em que base ela é feita. Prefiro tratar o tema como ele é hoje: uma área de pesquisa ativa, com dados que merecem ser conhecidos, e não uma oferta pronta. Para uma condição que está na lista, veja o artigo sobre
PRP na epicondilite lateral (cotovelo de tenista).
O PRP funciona na tendinopatia e na rotura parcial do manguito, sem cirurgia?
Quando pensamos em indicação do PRP para tratar lesão do manguito rotador para população geral, a evidência é
inconsistente. e a academia americana de ortopedia (diretriz de 2025 da AAOS) resume assim: o uso rotineiro de PRP não é apoiado no tratamento da tendinopatia do manguito rotador nem das roturas parciais.
Minha leitura: sem cirurgia, o PRP no manguito tem ajudado muitos pacientes, mas os dados não permitem prever exatamente quem vai se beneficiar.
O que temos hoje é o uso como adjuvante à reabilitação motora com fortalecimento e não como substituição. Estes casos tem se beneficiado do uso combinado de PRP e ácido hialurônico que resulta em melhora mais evidente e parte destes pacientes que havia recebido indicação de cirurgia acaba deixando de apresentar a necessidade do procedimento cirúrgico, com ótima recuperação funcional e estrutural do ombro (regressão da lesão na ressonância inclusive). veja Reabilitação e fortalecimento do ombro.
O PRP ajuda na cirurgia do manguito rotador (reparo artroscópico)?
Aqui a evidência é mais favorável, mas para um desfecho específico: o PRP aplicado durante o reparo artroscópico pode reduzir a taxa de re-rotura, sem melhorar de forma consistente a dor e a função que o paciente percebe.
As metanálises de Hurley et al. (2019) e de Feltri et al. (2023) apontam na mesma direção: menos tendões que não cicatrizam quando se usa PRP no reparo, com diferença pequena ou ausente nos escores de dor e função.
O ensaio de
Rossi et al. (2024), em roturas pequenas tratadas com PRP pobre em leucócitos na interface entre tendão e osso, repetiu esse padrão: menos re-rotura na ressonância, mesma recuperação clínica. Já
Yao et al. (2024) não encontraram diferença nem na imagem nem na função em 12 meses.
Leitura para profissionais: o que cada estudo mediu
Tabela 5. Principais estudos sobre PRP no manguito rotador
| Estudo | Desenho | Situação | Principal achado |
|---|---|---|---|
| Schwitzguebel et al., Am J Sports Med, 2019 | Ensaio duplo-cego, 80 pacientes | Rotura intersticial, sem cirurgia; PRP x soro | Sem diferença em lesão, dor ou função; mais efeitos adversos com PRP (54% x 26%) |
| Kuhn et al., J Shoulder Elbow Surg, 2013 | Coorte multicêntrica, 452 pacientes | Rotura total atraumática; reabilitação | Cerca de 75% tratados sem cirurgia em 2 anos |
| Ye et al., BMC Musculoskelet Disord, 2025 | Metanálise, 27 ensaios (8 no manguito) | Tendinopatias; PRP x corticoide | No manguito, PRP com menos dor aos 3 meses; sem diferença em 1 mês |
| Hurley et al., Am J Sports Med, 2019 | Metanálise, 18 ensaios (PRP e fibrina rica em plaquetas), 1.147 pacientes | Reparo artroscópico | Cicatrização incompleta 17,2% x 30,5% com PRP; ganho funcional pequeno (Constant 85,6 x 83,1) |
| Feltri et al., Knee Surg Sports Traumatol Arthrosc, 2023 | Metanálise, 36 ensaios, 2.443 pacientes | Cirúrgico e conservador | Menos re-rotura na cirurgia; nenhum ganho clínico; sem vantagem clara no conservador |
| Rossi et al., Am J Sports Med, 2024 | Ensaio duplo-cego, 96 pacientes | Reparo de roturas < 3 cm; PRP pobre em leucócitos | Re-rotura 15,2% x 34,1%; dor e função iguais |
| Yao et al., Am J Sports Med, 2024 | Ensaio de 3 braços, 150 pacientes | Reparo; PRP rico x pobre em leucócitos x controle | Sem diferença de re-rotura ou função em 12 meses |
| Tang et al., Bioengineering, 2025 | Metanálise, 6 ensaios | Reparo; PRP rico em leucócitos | Escores funcionais levemente melhores; diferenças pequenas |
Por que os estudos não concordam?
- Lesões diferentes no mesmo "saco": tendinopatia, rotura parcial e rotura total têm biologia e prognóstico distintos. Pacientes previamente ativos (que têm resposta muito superior aos previamente sedentários) misturados com inativos, fumantes com não fumantes, etc.
- Preparos diferentes: concentração de plaquetas, presença de leucócitos, volume e número de aplicações variam muito.
- Local da injeção: dentro do tendão, na bursa ou na articulação, com ou sem guia de imagem.
- Desfecho escolhido: um estudo mede a imagem do tendão, outro mede a dor; nem sempre andam juntos.
- Reabilitação: os protocolos de exercício raramente são padronizados entre os grupos.
Leitura do especialista
Se eu tivesse de resumir em uma frase: no manguito rotador, o PRP ainda é uma pergunta de pesquisa, e não uma resposta pronta. Minha conduta é priorizar o que tem evidência sólida, reabilitação bem feita, compensações biomecânicas e, quando indicada, a cirurgia. O tratamento com PRP é para o paciente que quer uma “tentativa” não cirúrgica para uma lesão que vai mal. Sempre busco discutir o PRP com transparência e esclarecer estes limites.
Quais são as opções de tratamento da lesão do manguito rotador?
A maioria das lesões degenerativas começa pelo tratamento não cirúrgico. A escolha depende do tipo e do tamanho da lesão, da idade, do nível de atividade e, principalmente, de como o ombro responde nas primeiras semanas.
Tabela 6. Opções de tratamento comparadas
| Tratamento | Objetivo | Situação da evidência | Comentário do especialista |
|---|---|---|---|
| Ajuste de carga e analgesia | Reduzir o estímulo que mantém a dor | Base de todos os protocolos | Muitos pacientes melhoram nesta fase |
| Reabilitação motora com fortalecimento | Recuperar força e controle do ombro e da escápula | Boa, inclusive em roturas totais sem trauma | Tratamento central das lesões degenerativas |
| Infiltração com corticoide | Aliviar a dor para permitir a reabilitação | Alívio de curto prazo | Uso seletivo; evitar repetições e aplicações perto de uma cirurgia |
| PRP (com ácido hialurônico) sem cirurgia | Estimular o reparo biológico | Limitada e contraditória (considerado experimental no Br) | Fora das condições da Resolução CFM 2.464/2026 |
| Reparo artroscópico | Reinserir o tendão no osso | Indicado em roturas selecionadas | Rotura traumática, falha do tratamento ou lesão com risco de progredir |
| PRP no reparo | Melhorar a cicatrização do reparo | Menos re-rotura em parte dos estudos; função igual | Fora das condições da Resolução CFM 2.464/2026 |
Sobre o corticoide no ombro, uma ressalva prática: comentário editorial publicado na revista Arthroscopy (Hurley et al., 2023) lembra que as taxas de infecção são maiores quando o paciente é operado nos 3 meses seguintes a uma infiltração. Por isso, planejo as infiltrações pensando também no que pode vir depois. Mais sobre essa opção em LINK infiltração com corticoide no ombro.
Quando a cirurgia do manguito rotador costuma ser discutida?
A cirurgia entra em cena quando o tendão não tem boa perspectiva de melhorar sozinho, ou quando esperar pode tornar o reparo mais difícil. Os cenários mais comuns são a rotura traumática com perda súbita de força, a rotura total em paciente jovem e ativo, a dor e a fraqueza que persistem após reabilitação bem feita, o aumento da rotura em exames seriados e a rotura parcial extensa com sintomas limitantes.
A Resolução CFM 2.464/2026 é explícita num ponto que vale para qualquer indicação: o PRP
não pode substituir uma cirurgia formalmente indicada. Se o seu caso tem indicação cirúrgica clara, a conversa deve partir daí.
Nota clínica do Dr. Guilherme Noffs
Uma paciente de pouco mais de 50 anos, praticante regular de musculação e Pilates, fez uma trilha carregando uma mochila pesada nas costas e outra bolsa à frente do corpo, com esforço repetido ao longo do percurso. Depois da viagem, surgiu dor no ombro.
O primeiro ultrassom não mostrou alterações relevantes. A ressonância magnética, feita depois, revelou uma lesão extensa do tendão supraespinhal. Pela extensão da lesão, a cirurgia era a principal opção.
Por ser fisicamente ativa, sem prática competitiva e com ótima adesão ao tratamento, decidimos em conjunto por uma tentativa não cirúrgica, com reabilitação estruturada, fortalecimento progressivo e PRP. Os sintomas melhoraram de forma gradual; após alguns meses, ela estava sem dor e tinha retomado os treinos.
Acompanhei o caso por cerca de um ano, até a alta, sem necessidade de operar e com recuperação observada também na ressonância magnética.
Este caso (assim como muitos outros casos que temos no consultório) não prova que o PRP funcione no manguito rotador. Ele ilustra que, em lesões selecionadas, o tratamento não cirúrgico bem conduzido pode ser discutido, sempre com reavaliação periódica.
Importante: trata-se de um relato individual. Resultados variam de pessoa para pessoa e não há garantia de que se repitam.
Se o PRP for discutido no seu caso, o que é realista esperar?
A resposta ao PRP não é imediata e varia muito entre as pessoas. Nos estudos, as diferenças, quando aparecem, surgem ao longo de semanas a meses. Nos primeiros dias, dor e sensibilidade no local são comuns.
O objetivo nunca deve ser apenas eliminar a dor. O que interessa é recuperar a função do ombro e sua capacidade de suportar as atividades do dia a dia, e isso depende da reabilitação também. Qualquer proposta séria de PRP vem acompanhada de um termo de consentimento que explica benefícios esperados, limitações científicas, alternativas e a possibilidade de falha, como exige a própria Resolução CFM 2.464/2026 nas condições que ela regulamenta.
Tabela 7. Riscos e efeitos esperados de uma injeção de PRP
| Efeito | Frequência | O que fazer |
|---|---|---|
| Dor e inchaço local nos primeiros dias | Comum | Repouso relativo e analgésico simples, conforme orientação |
| Piora transitória dos sintomas | Ocasional | Costuma ceder em dias; avisar o médico se persistir |
| Hematoma no local da coleta ou da injeção | Ocasional | Compressa; resolve espontaneamente |
| Infecção | Rara | Técnica asséptica; procurar o médico se houver febre, vermelhidão ou calor crescente |
| Lesão de estruturas vizinhas | Rara | Aplicação guiada por ultrassom reduz o risco |
| Rigidez de movimento (capsulite adesiva) | Rara | Alongamento gentil para ganho gradual de movimento |
Pessoas com infecção ativa, neoplasia ativa, plaquetas baixas ou distúrbios de coagulação não devem receber PRP. Uso de anticoagulantes, antiagregantes e anti-inflamatórios deve ser informado na consulta; nunca suspenda medicamentos por conta própria.
Guilherme Noffs: ortopedista de ombro e lesões do manguito rotador em São Paulo
O Dr. Guilherme Noffs é ortopedista especialista em ombro e cotovelo em São Paulo, com formação pela USP, UNIFESP e Hospital Israelita Einstein e atuação em Medicina do Esporte. São 15 anos de ortopedia, mais de 10 dedicados a ombro e cotovelo, e atendimento de lesões do manguito em todas as fases, da tendinopatia à rotura total, incluindo casos em que o tratamento inicial não trouxe a recuperação esperada.
O plano é individualizado e considera tipo e extensão da lesão, qualidade do tendão e do músculo, sintomas, nível de atividade e resposta aos tratamentos já feitos. As opções são apresentadas com seus benefícios, seus limites e o que a regulamentação permite.
Se você tem dor no ombro, perda de força ou recebeu o diagnóstico de lesão do manguito rotador,
agende uma consulta com o Dr. Guilherme Noffs, especialista em ombro e cotovelo. Entenda quais opções fazem sentido para o seu caso e monte, junto com o médico, um plano para recuperar a função do ombro.
Perguntas frequentes sobre PRP e manguito rotador
O PRP pode tratar lesão do manguito rotador?
O PRP foi estudado em tendinopatias, roturas parciais e como complemento da cirurgia. Sem cirurgia, os resultados mais promissores e previsíveis são para lesão parcial de baixo grau, seguida de lesão parcial profunda e não são promissores para lesões completas. Estudos científicos ainda mostram resultados inconsistentes. No Brasil, PRP para o manguito rotador é considerado experimental e não regular pelo Conselho Federal de Medicina (Resolução CFM 2.464/2026).
O PRP regenera um tendão do manguito rotador rompido?
Promessas nesse sentido devem acender um alerta. O que podemos afirmar é que observamos respostas excelentes em casos selecionados e em outros casos, ausência de resposta. Cada caso deve ser avaliado e discutido individualmente.
O PRP é indicado para rotura parcial do supraespinhal?
A evidência atual não sustenta o uso rotineiro. A reabilitação continua sendo o ponto de partida. Casos com resultado insatisfatório das medidas tradicionais podem ser candidatos ao PRP.
O PRP evita a cirurgia do manguito rotador?
Não há evidência de que o PRP evite cirurgias indicadas. Muitas roturas degenerativas melhoram com reabilitação, com ou sem injeções. O PRP pode fazer parte do tratamento e otimizar os resultados em casos selecionados. Quando existe indicação cirúrgica clara, como uma rotura traumática com perda de força ou conflito mecânico, o PRP não deve substituir a cirurgia.
O PRP ajuda na cirurgia do manguito rotador?
Os estudos mais recentes mostram que o PRP parece auxiliar na menor taxa de falha do reparo por rerotura.
Quanto tempo o PRP leva para fazer efeito no ombro?
Quando há efeito, ele é gradual, ao longo de semanas a meses, e não imediato. Nos primeiros dias, é comum aumento temporário da dor.
Qual é o tratamento inicial da lesão do manguito rotador?
Na maioria das lesões degenerativas, o início é ajuste de carga, controle da dor e reabilitação motora com fortalecimento do manguito e da escápula. Roturas traumáticas seguem outro caminho.
O PRP tem riscos no ombro?
Por usar o sangue do próprio paciente, o risco de reação alérgica é baixo, mas existem efeitos: dor e inchaço local, piora transitória, hematoma e, raramente, infecção ou lesão de estruturas vizinhas (ainda menos prováveis co uso do ultrassom para guiar o procedimento).
Todo paciente com lesão do manguito rotador pode fazer PRP?
Não. Infecção ativa, neoplasia ativa, plaquetas baixas e distúrbios de coagulação são contraindicações. Além disso, qualquer decisão deve partir de diagnóstico preciso e de conversa franca sobre benefícios, limites e alternativas.
Referências científicas
- Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº 2.464, de 2 de julho de 2026. Regulamenta o uso de plasma rico em plaquetas como procedimento médico adjuvante no tratamento de condições osteomusculares específicas. Disponível em: sistemas.cfm.org.br.
- American Academy of Orthopaedic Surgeons. Management of Rotator Cuff Injuries: Evidence-Based Clinical Practice Guideline. Rosemont (IL): AAOS; 2025. Disponível em: aaos.org.
- Schwitzguebel AJ, Kolo FC, Tirefort J, Kourhani A, Nowak A, Gremeaux V, et al. Efficacy of platelet-rich plasma for the treatment of interstitial supraspinatus tears: a double-blinded, randomized controlled trial. Am J Sports Med. 2019;47(8):1885-92. doi:10.1177/0363546519851097
- Hurley ET, Lim Fat D, Moran CJ, Mullett H. The efficacy of platelet-rich plasma and platelet-rich fibrin in arthroscopic rotator cuff repair: a meta-analysis of randomized controlled trials. Am J Sports Med. 2019;47(3):753-61. doi:10.1177/0363546517751397
- Feltri P, Gonalba GC, Boffa A, Candrian C, Menon A, Randelli PS, Filardo G. Platelet-rich plasma does not improve clinical results in patients with rotator cuff disorders but reduces the retear rate. A systematic review and meta-analysis. Knee Surg Sports Traumatol Arthrosc. 2023;31:1940-52. doi:10.1007/s00167-022-07223-9
- Rossi LA, Gorodischer TD, Camino P, Brandariz RN, Tanoira I, Piuzzi NS, Ranalletta M. Leukocyte-poor platelet-rich plasma as an adjuvant to arthroscopic rotator cuff repair reduces the retear rate but does not improve functional outcomes: a double-blind randomized controlled trial. Am J Sports Med. 2024;52(6):1403-10. doi:10.1177/03635465241239062
- Yao L, Pang L, Zhang C, Yang S, Wang J, Li Y, et al. Platelet-rich plasma for arthroscopic rotator cuff repair: a 3-arm randomized controlled trial. Am J Sports Med. 2024;52(14):3495-504. doi:10.1177/03635465241283964
- Tang P, Huang M, Xiao W, Wen T, Volotovsky P, Gerasimenko M, et al. Leukocyte-rich platelet-rich plasma's clinical effectiveness in arthroscopic rotator cuff repair: a meta-analysis of randomized controlled trials. Bioengineering. 2025;12(6):617. doi:10.3390/bioengineering12060617
- Ye Z, Yuan Y, Kuang G, Qiu L, Tan X, Wen Z, Lu M. Platelet-rich plasma and corticosteroid injection for tendinopathy: a systematic review and meta-analysis. BMC Musculoskelet Disord. 2025;26:339. doi:10.1186/s12891-025-08566-3
- Hurley ET, Danilkowicz RM, Klifto CS. Editorial commentary: platelet-rich plasma injections produced a significant improvement in most patients with rotator cuff tendinopathy. Arthroscopy. 2023.
- Kuhn JE, Dunn WR, Sanders R, et al. Effectiveness of physical therapy in treating atraumatic full-thickness rotator cuff tears: a multicenter prospective cohort study. J Shoulder Elbow Surg. 2013;22(10):1371-9.
Este conteúdo tem caráter educativo e não substitui a avaliação médica individual. Diagnóstico e indicação de tratamento devem ser feitos em consulta.









